Antes eram dois azuis, nos pólos do horizonteA cobrir a mortalidade e a infinitude
Perdidas, centelhas vagavam ingênuas
Na magnitudade da ciência suprema
E aspergiu o céu sobre as cinzas
A subtração das sua esterilidade
Confundindo o mar pouco anil
Que iniciada a revolução, agitava
Trova de vozes estranhas
Firmavam com força o repuxo
Insultos a antigas, idas façanhas
Semeavam aos outros novo culto:
"Cárcere, cárcere! é idéia patriarcal
Vamo-nos ao sal, e sejamos mártires
Partes, partes! que venham a esperar voltar
Que seja então, gerada a arte de retornar"
Quiçá renovaram-se as entranhas de outrora!
Mesmo sob o fio da águia que as devora
E ao céu que demora as vistas desta escurecer
Pois fora imensa plenitude que nalguns inda morava
Nasceu, sim! da senil desconhecida do tempo
Um miúdo e malfadado rebento que gemeu a vinda
Brilhando olhos infelizes e sedentos
Na fria baía do porto dos ventos
Era só, nos ermos vastos espaços
entre colossais e negros planaltos
abissais berços cravados pra outros
colossos vazios que inda repousavam
E romperam enfim, o fosco casulo
Escalaram o muro por sobre o marfim
Da boca de ouro da tarde e do fim
E foi começo, o que outrora era termo
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