domingo, agosto 12, 2012

Há pássaros cantando desde a madrugada, talvez o desespero pela chegada da primavera ou, então, o destempero do inverno corrente. Essas notas todas são para quem? Não escutam que os carros lhes abafam os brados agudos ?
Eu estou aqui inerte sobre um bloco de espuma, esfarrapado em um escaninho de concreto.
Canto em coro com estes miúdos organismos que voam vagabundos a selvagem persistência de um querer que cobre o reconhecimento dele mesmo.
  Eu grito, quero e digo o que há em mim. Deixo que saibas exatamente o que sinto emaranhar aqui no peito de sabiá. Canto mesmo com medo de ser enfadonho para ti, mas sabendo que, se talvez uma tormenta me abater em pleno curso do vôo, e eu venha a sucumbir, terás ideia do valor que tinhas para mim.
 Se estou voando, você céu, é a prioridade de toda minha constituição.