domingo, fevereiro 26, 2006

O amanhecer da batalha

Pobre chama que queima
A flecha que a conduzirá,
Consome-se, e cresce,
Ávida pelo arco que atira.

E o dia que rasga
Qual nau ligeira
Da noite as serena vagas,
Arde igualmente olhos sonolentos
Temerosos da batalha.

Irmãos que não se odeiam,
Não se amam porém,
De lado e outro futuro
Não espreitam, após
Terem espadas em punho
Tempo se detém,a vida falha.

Marcha segue a malha
Urdida por gênios cobiçosos,
Vidas e esforços
Erguem-se para seu têrmo.

Ah, fim, começas agora,
E meditações a ti
Não fizeram os que
Vão ao teu encontro.

Reclama, pois, o pensamento
Que cavalga a agonia,
E que falta aos pobres
Que vão ter com tua filha
Sem reconhecer-te como nobre.

Bestas circulam o céu,
Anjos lamentam nele,
Véu que será descoberto
Da tua face morte perene.

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