terça-feira, dezembro 27, 2011

Sem verbo, sem luz. Há uma janela com vista pra dentro e um claro dia que não permite ver.


domingo, dezembro 25, 2011

Se acaso eu pudesse ser objetivo, viveria o que penso escrever e acabo por não fazer.


domingo, dezembro 11, 2011

Sobre Folhas e Armaduras

É tarde, agora. Ouço em um torpor que me impede de me refazer, de erguer o corpo então em cócoras, a uma posição digna de um real guerreiro. Pesam-me, não as camadas de couro que me guardam dos assaltos, da bruta pancada, ou das furtivas setas; mas sim o peso dos assaltos, da bruta pancada, e das furtivas setas que não recebi.
Tanta arte ao te construir, proteção bem amada. Quantos processos inimagináveis para o executor da vida do que luta que, se os conhecesse em detalhes, tanta pena lhe causaria em desfazer a constituição original que imploraria ao futuro morto que se despisse, que deixasse a nua carne exposta ao que corta e traspassa. Eis a batalha - conservada a beleza e a arte, e fustigada a carne que a carrega.
O farfalhar das finas folhas dos bambus sobre minha cabeça me trazem indescritível encanto, como um silvo de alguma feiticeira. A imagem da lua retalhada pelos ramos me faz pensar que até mesmo uma folha pode alterar a maior personagem do céu noturno.

Lâmina e Couro




Samurai verte a espada,
lâmina de sangue
O orgulho que não cessa
em si é estanque

Couro que aplaina o corpo
é armadura do desejo
Vê-se o lustro, a sanha,
contudo encobre o medo.