domingo, fevereiro 26, 2006

O anoitecer da batalha


Quão sangrenta foste
Desgraçada batalha vil.
Consumiste, do rio,
A argenta face serena;
E da areia, o claro brilho.

E transformaste tudo
Que vejo, numa região
Donde nem o pão desejo.
Eis que o tenho visto
De igual modo maculado.

A tinta, que tinge a vida,
Por entre os sulcos
Da terra seca finge:
Irriga o solo quente,
Cobre a fria correnteza.

E o meu peito
Já tão banhado,
Continua sedento;
Cansado e negro.
Tão desatinado quanto,
O colidir de água e rocha.

E me ajoelho à margem,
No último ato profano:
Deito a face ao rio,
Na tentativa de acordar;
E livrar dos olhos o rubro.

Contudo, jorra a fonte,
Rio acima em prantos,
E me mancha a vista
Quem a vida retive.

Desembainho a lâmina da lua,
Contemplo nela, a noite que dorme;
Já o meu sol se encontra no poente,
O crepúsculo é a última hora que me resta...
A última fresta por onde vejo.

Sobrevenha a noite,
Maturada por minhas mãos;
Liberte-se em meu peito.
Percorra, pois, a fenda aberta
Por minha espada aguçada.

Já me tens rio,
Tão revolto que eras...
Torna-te agora tranquilo,
Por ter-me junto de ti,
Pois corro contigo ao mar
Tendo acima o céu estrelado...

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