sábado, setembro 15, 2007

Ponteiro em Prata

Estrada de terra batida,
em denso vapor de prata
um céu parado
Ausência de sombra,
à beira das coisas,
encobrindo o tempo
sem sol, com luz;
com ponteiros, sem horas.

terça-feira, setembro 04, 2007

Viagem de Peer Gynt

Nossa jornada é feita de intervalos entre estações ferroviárias e a própria ferrovia correndo sinuosa ou reta, mas sempre sonolenta e contínua, por entre matas e desertos, ambos ermos lugares. Então nós, vigorosos espectadores da viagem tanto quanto pusilânimes viandantes, sentamos à beira de um assento de couro fosco em um vagão secular qualquer para assistir passar através da opaca janela as paisagens que não viveremos, e que mais adiante, a moldura de nossas pacatas e róseas tardes serão. Porém se ao deitar bagagens no frio piso da estação na qual fores descer não sentir um sopro de brisa gélido percorrer todo o espaço que enxergas, e de fora da tua visão surpreenderem-te braços enlaçados na ânsia da espera, e que se desfazem por ti, e para ti. Nessas condições, viajante, esqueça o pacato e solitário crepúsculo mencionado, que embora róseo há de ser tranquilo como nenhuma ausência jamais será.