
O samurai não tem forças
Pra desabafar sua fraqueza
Esmaga o sono na alvorada
Enfara a noite com tristezas
O samurai não é amigável
Com o que em si desespera
E simula eterna calma
Na batalha que não cerra.
O samurai é bardo mudo
Cárcere da poesia viva
Guilhotina de sonhos
Morte do que termina.
O samurai não é sensível
Ao que é duro e imóvel
Ama a rosa orvalhada
E mesmo a pedraria opaca.
O samurai não é mortal
Como o que de sua alma nasce
Empunha a espada da idade
E ao fim não é sua própria imagem
O samurai sou eu
Aquele sem o furor do ódio
O samurai sou eu
O sóbrio que amor não fala
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