segunda-feira, julho 02, 2012

Minha Cidade é Uma Mulher

Entro no ônibus e deixo que este conduza meu corpo, entro na minha alma e deixo que ela conduza minha sorte.
 Eu posso ver nos teus olhos de cidade o córrego de luzes vermelhas que se vão avenida adentro. As ruas são muitas e não há retorno possível.
 Eu percebo, eu tenho que perceber tudo. O que me leva a ser a criança com barba de Saturno não sei, e quiçá jamais saberei. Em mim a incapacidade de relatar se torna maior na mesma proporção do quanto consigo captar.
 Tenho dificuldades em fechar portas; tenho fobia de pessoas que passam; tenho um código sobre mim, e o desconheço; tenho paixão e não sei apaixonar.
 Sobre mim não há palavras, não sofrerão por mim. Não há imagens da minha alegria e tampouco da tristeza. Quando chegar o tempo talvez exista lembrança de que eu caminhei e morei dentro dos teus olhos de cidade.
 Eu vi tua pele tenra com pequenos retalhos de sol matutino; senti tuas festas e dissabores muito mais do que pensas.
  Juro que serei breve, só me deram este meu corpo pra viver-te e ele não pode durar tanto quanto seria necessário pra ser em você.
  Me vencerei, ao final, mas não serei visto...

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