Nunca houve pressa nos meus passos, muito embora o vento soprasse sem força, querendo apagar tua silhueta em aroma de pensamento a qual, por força de um acordo íntimo com promessa de ventura, não desvanecia. Eu era um caminhante acompanhado pelos grãos de areia sob os pés e por uma multidão de espaços vazios. O que pungia, portanto, meu peito tomado de lua e abandonado de ânimo, era adentrar as vultuosas cidades em meio ao deserto. Lá me feria a vida festiva, véu que encobre o auto-encontro; as noites sob candeias, refúgio dos relâmpagos dos erros e medos na memória do escuro; as procissões em multidões extasiadas nas ruas carentes de solidão, freio em dentes dos cavalos inquietos do inconsciente; enfim, e lamentavelmente, uma vida regrada de uma inutilidade para si própria. Essas coisas, dentre tantas outras, não foram capazes de eliminar a estrela bruxuleante, enegrecida pelos vapores da noite caída, no longe do horizonte visível da minha caminhada. Eu ansiava pelas almas exteriores aos muros, e ao sol e à lua, correntes livres
de um horizonte ao outro.
de um horizonte ao outro.
O aroma, por uma permanência mínima e inquietante que me escapa ao entendimento, jamais se perdeu quer seja entre o incenso dos templos ou então entre as torres negras de fumaça dos campos de batalha. Nada foi capaz de desfazer o inevitável, e finalmente encontrei a flor que desprende a beleza em doce fragrância.
Em meio ao dourado campo tu, humano cárcere de uma divindade perdida em seu labirinto, ceifavas de maneira tímida e solitária grãos do que é nobre e belo. Sentei, então, sobre o monte mais próximo e observei-te por incontáveis luas, a perscrutar o sentido de cada canção tua, da alvorada ao crepúsculo. Via-me com desconfiança, percebi, por estar eu sempre a olhar-te; mas ao fim, apesar do pouco tempo passado desde que me avistaste, o que de certa maneira me tornava um estranho, intimamente acenou-me de longe, chamando-me para junto do campo para em companhia das tuas mãos acariciar o trigo e em par com teus lábios amaciar a tarde celebrada em dueto.
2 comentários:
Hum, gostei bastante. Tu tá saindo daquela forma que tu tinhas, tá escrevendo mais livremente, e, não sei dizer bem, mas me pareceu mais maduro, mais reflexivo.
Lindo Ju!!! Adoro ler o q vc escreve, fico eu aqui, viajando nas tuas palavras, enquanto a mente vai encenando a história.
Ñ perca seu estilo, nem sua personalidade, pois são estes q fazem os seus poemas (e vc) serem únicos e especiais...
B-jão Ju!!!! té + v!!!
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